O relógio já marcava mais de meia-noite.
Estava no quarto da minha mãe com ela, pronto pra dormir, quando minha irmã chegava reclamando de algum problema no trabalho.
Começava a sentir uma vibração e, deitado, incorporava o preto-velho.
Ele levantava, abraçava minha irmã e dizia que tudo ia ficar bem, que ele daria força pra ela. Ela chorava, chorava e ia se acalmando no abraço do querido vovô.
Assim que ela se acalmava ele se preparava pra ir embora e ouvia um barulho de água caindo. Minha mãe ia olhar e via que muitos canos estavam estourados.
A nossa casa estava inundando.
O vovô dizia que aquilo tinha que ser consertado ou perderíamos a casa pra inundação.
Estranhamente, todos tratavam ele com intimidade em excesso, beirando inclusive uma certa falta de respeito, porém o vovô não se afetava com nada, continuando humilde em vibração e pensamentos.
Quando ele se preparava pra desincorporar, meu querido irmão e amigo Xandão, entrava no quarto e pedia pra que ele ainda não fosse, pois queria dar um abraço.
O vovô ficava feliz com o carinho recebido por hora e então ia embora.
Ao desincorporar, eu via a cozinha cheia de água no chão, com filhotes recém-nascidos, que eu não sabia identificar se eram de gato ou rato. Eles boiavam e já procuravam o que comer naquela água barrenta.
Um sonho realmente bastante estranho.
Juro que sonhei...


Nenhum comentário:
Postar um comentário